24 setembro 2026 - 20 min de leitura

O pulso da inovação

KPTL

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“Peste bubônica, câncer, pneumonia / Raiva, rubéola, tuberculose e anemia / Rancor, cisticercose, caxumba, difteria / Encefalite, faringite, gripe e leucemia / E o pulso ainda pulsa“

Em tempos de desinformação sobre vacinas, com consequências nefastas como a volta do sarampo, o inventário feito pelo titã Arnaldo Antunes para a letra de “O Pulso”, lançada no distante ano de 1989, assusta. Por conta dos inestimáveis esforços do movimento anti-vacinas, as Américas registram atualmente a maior quantidade de casos de sarampo dos últimos 22 anos. O número saltou de 14,8 mil confirmados, com 29 mortes, em 2025, para mais de 22,3 mil casos, com 38 óbitos, em meados deste ano, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) – o Brasil teve até agora 36 registros da doença, em 2026.

Mas o pulso não só ainda pulsa, my friend, como tem mostrado um vigor “máster” em festa no Madame Satã, quando se trata de inovação. Em relação à saúde, o Brasil e o mundo vêm passando por uma transformação profunda, embalada por novas tecnologias que empurram o mercado para novas fronteiras no tratamento dos mais diversos males.

Os tempos, felizmente, são outros.

Cirurgia robótica? Temos. Telecirurgia? Check. Até no SUS? Sim, senhor(a). A primeira foi realizada em julho. Por meio de uma plataforma robótica chamada Toumai, médicos em Barretos, no interior de São Paulo, acompanharam e controlaram equipamentos robóticos em uma cirurgia iniciada por colegas em Porto Velho, a 2,7 mil quilômetros de distância. D-O-I-S V-Í-R-G-U-L-A S-E-T-E M-I-L Q-U-I-L-Ô-M-E-T-R-O-S. Pense no que isso pode significar em termos de acesso a equipes médicas de ponta, em áreas remotas do Brasil e do mundo.

2,7 mil quilômetros entre o paciente e a equipe médica. A tecnologia encurta a distância.

Sem esquecer que no interior do interior do País, no hay nem fibra ótica.

Para além da telemedicina e da robótica aplicada a cirurgias, estamos falando da modernização de centros cirúrgicos para reduzir gargalos, aumentar a segurança e a eficiência de clínicas e hospitais; da integração de sistemas de informação para melhorar o atendimento dos pacientes (o percentual de unidades públicas que já aderiram a tecnologia supera os 64%, segundo dados da pesquisa TIC Saúde, do Cetic.br/NIC.br), e de formas mais eficientes de detectar doenças através de exames de imagem ou laboratoriais, com IA.

Estão chegando ao mercado, ou em fase avançada de desenvolvimento, soluções sem agulhas para alergias em crianças; técnicas de edição genética para o combate de doenças raras; vacinas não só para infecções, mas para a prevenção de ataques cardíacos, demência e câncer, medicamentos não hormonais para menopausa e implantes cerebrais.

Atualmente, 18% dos estabelecimentos de saúde do país já adotam IA, percentual que sobe para 31% em unidades com mais de 50 leitos, segundo a pesquisa TIC Saúde 2025, do Cetic.br. E o uso da tecnologia por médicos tem crescido de forma tão intensa que levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a criar o primeiro marco regulatório nacional para o seu uso na medicina brasileira, a Resolução CFM no. 2.454/2026. Em vigor desde o dia 26 de agosto, a norma disciplina pesquisa, desenvolvimento, governança, auditoria, monitoramento e uso de IA, e prevê sanções éticas para médicos e instituições.

Da escala microscópica à fronteira da ciência, novas tecnologias ampliam as possibilidades de tratamento.

A lista de novidades e transformações é mais longa que reunião de apresentação de balanço no vermelho no Condado da Faria Lima, em São Paulo (SP), que poderia até ser principado, mas é condado mesmo. E seria possível estendê-la muito mais por aqui. Mas… Já deu para captar, não deu não, my friend?

Tema pop

O tema da saúde parece só não ter mais espaço no noticiário porque anda difícil competir com a política. Mas aparece cada vez mais, e com maior destaque, por seus reflexos em outros campos: consumo, trabalho, indústria, tecnologia, políticas públicas e desigualdade.

Um medicamento que ultrapassou a fronteira da saúde e passou a mexer com o consumo.

O melhor exemplo talvez sejam as famosas “canetinhas” para o controle de diabetes, que acabaram se mostrando igualmente eficazes para o controle da obesidade e a prevenção de infartos e derrames. Além de terem garantido à Dinamarca, país de origem do Ozempic, um PIB positivo em um momento difícil na União Europeia, elas têm deixado a indústria, o setor de alimentos e o varejo de orelha em pé, pelos efeitos sobre o consumo. Negativos, diga-se – não queria ser franqueado de rede de fast food em uma hora dessas…

Os fabricantes de alimentos ultraprocessados e redes de lanchonetes fast food, ao que tudo indica, são os mais afetados. Mas há efeitos colaterais também sobre comportamento e sobre indústrias como a da moda, bastante sensível a mudanças em padrões estéticos.

Quando o comportamento muda, a indústria sente no cardápio.

Mas não existe mágica. Inovação é que está por trás de tudo isso. A área se move em ritmo acelerado, exigindo das empresas do setor novas dinâmicas e investimentos na área.

A união faz a força

É o que têm feito grandes empresas e planos corporativos de medicina diagnóstica. O Horizontes Hub, unidade de inovação e novos negócios da Unimed-BH, e a Abertta Saúde, autogestão em saúde do grupo ArcelorMittal no Brasil, por exemplo, criaram neste ano um fundo de Investimento em Participações (FIP), para aplicar até R$ 60 milhões em startups de saúde, nos próximos quatro anos.

Aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o fundo foi entregue à gestão da KPTL e já recebeu a adesão da CABERGS, o plano de autogestão do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul), além de estar aberto a participação de outros players do mercado interessados em soluções inovadoras voltadas a bem-estar e saúde mental, experiência e engajamento do paciente, atenção primária, gestão de doenças crônicas, novos modelos de saúde corporativa, educação médica, inteligência artificial e internet das coisas.

Startups na onda

Na outra ponta do mercado, uma série de startups do setor, como Ages, Síntese, HarpiAI e Magnamed, tem feito sua parte desenvolvendo novas soluções e contribuindo para melhorias na gestão de negócios do setor, no diagnóstico e tratamento de doenças.

A Magnamed, por exemplo, que desenvolve ventiladores pulmonares, tanto para uso doméstico quanto para transporte e UTIs, teve papel chave no Brasil durante a pandemia da Covid-19 e segue investindo em inovação, agora de olho também no mercado externo e, em especial, nos Estados Unidos, onde pretende intensificar os esforços comerciais em 2027.

Entre as novidades mais recentes lançadas pela empresa estão equipamentos híbridos, que integram recursos avançados de ventilação, monitorização e conectividade, de alto desempenho, tanto para UTIs quanto para o transporte de pacientes intra, inter e extra hospitalar. Outra é um ventilador pulmonar de transporte, como turbina integrada, desenvolvido para oferecer maior autonomia, mobilidade e menor dependência de infraestrutura, para uso em cenários em que cada recurso precisa ser bem aproveitado.

Em paralelo, a empresa tem avançado na incorporação de inteligência artificial à monitorização da ventilação mecânica, e ainda esse ano, pretende apresentar uma nova tecnologia própria, exclusiva, chamada PMUS, para monitorização do esforço respiratório em tempo real, sem necessidade de acessórios ou procedimentos adicionais.  Na prática, a tecnologia amplia as informações disponíveis no ventilador, oferecendo maior visibilidade sobre a mecânica ventilatória e possíveis assincronias, além de informações que podem auxiliar na avaliação de ajustes ventilatórios mais adequados à condição clínica do  paciente.

Biomedicamentos

Startups tem explorado a biodiversidade brasileira para desenvolver novos compostos a partir de extratos bioativos de alta funcionalidade terapêutica.

À frente de biomedicamentos, a Ages tem aproveitado a biodiversidade brasileira para desenvolver novos compostos bioativos de alta funcionalidade terapêutica para temas de saúde, a partir de extratos de bioativos, em especial da flora de biomas importantes, como o Amazônico. São extratos vegetais contendo moléculas com estrutura sofisticada e pouco ou ainda não exploradas no universo da saúde, a partir dos quais a empresa criou um portfólio formado atualmente por nove produtos, com atuação em diferentes frentes, do sistema musculoesquelético e do climatério à longevidade celular e saúde metabólica, entre outros.

Capitaneada na área de P&D pelo professor Dr. José Carlos Tavares, um dos maiores pesquisadores em bioma amazônico no mundo, com mais de 30 anos de experiência em fármacos, a empresa foi contemplada recentemente com o primeiro lugar, na categoria acadêmica, do prestigioso “Prêmio Pio Corrêa” de Inovação com a biodiversidade brasileira, superando mais de cem empresas. E segue investindo na produção de pesquisas e artigos científicos para aprofundar o conhecimento dos ativos e seus benefícios para a saúde humana. “Estamos com mais de dez estudos em andamento e devemos fechar o ano com mais cinco ou seis publicações”, diz Caio Agmont, CEO da empresa, que está desenvolvendo um estudo clínico de seus produtos com o Hospital das Clínicas (SP).

Caio Agmont, CEO da Ages. (Foto: Gil Silva / Kyvo)

Em paralelo à pesquisa e a produção de artigos científicos, a empresa vêm investindo na ampliação da sua rede de prescritores – médicos e nutricionistas – e de farmácias de manipulação, em todo o Brasil, que vendem seus produtos. A meta é dobrar o número de farmácias, dos atuais três para seis mil, e aumentar o engajamento de cada uma delas. Com isso, a expectativa da empresa é crescer acima de 60%, neste ano, afirma Agmont. “Vamos desenvolver um trabalho forte de apresentação e relacionamento com médicos e nutricionistas, para que conheçam e prescrevam nossos produtos”, diz o empresário.

HarpiAI

Outra empresa que vive um momento de forte crescimento, associado à inovação e à expansão do portfólio, é a HarpiAI Health, empresa especializada na melhora de diagnósticos por imagem com IA. A expectativa para o ano é de um crescimento de 70%, impulsionado principalmente pela entrada de novos clientes, expansão da utilização das ferramentas dentro da atual base e inclusão de novas soluções no portfólio. “Estamos trabalhando agora na introdução dos nossos primeiros produtos voltados para tomografia computadorizada, o que amplia significativamente as possibilidades de aplicação da plataforma e o valor que conseguimos entregar aos clientes”, diz Daniel Vital, cofundador e CEO da empresa.

Considerando também soluções aplicadas à mamografia, radiografia de tórax, radiografias musculoesqueléticas e densitometria óssea, a HarpiAI espera atingir a marca de 180 mil exames processados por mês, até o final de 2026. “Nossas soluções de apoio à decisão médica, oferecem uma segunda leitura dos exames, auxiliando na elaboração do pré-laudo”, afirma o empresário. “Em determinadas aplicações, a IA também contribui para a priorização dos pacientes que apresentam achados potencialmente mais relevantes, ajudando a equipe médica a direcionar sua atenção com maior rapidez”.

Para 2027, além de consolidar o processo de expansão no Brasil, para além da presença em 22 estados, e de entrada no mercado internacional, que inclui representantes na Argentina e no Peru e parceria internacional com a CARPL.ai, nos Estados Unidos e na Europa, a meta é dobrar o volume de exames e chegar a aproximadamente 300 mil processados por mês.

Síntese

Tecnologia também transforma aquilo que acontece longe do consultório: gestão, compras e distribuição.

No longo prazo, a tendência é de fechamento de um ciclo, que se repete e retroalimenta o ecossistema, como mostram casos de inovação bem sucedidos. A Síntese B2B, vendida em meados de 2022, para a Bionexo, é um exemplo. Nascida em 2001, como uma central de compras que reunia hospitais, em geral de médio porte, para barganhar melhores preços de insumos junto a fornecedores, a empresa se transformou, em 2009, em plataforma, e ganhou escala a partir de 2020, com a entrada de fundos de VC no negócio – entre eles, a KPTL. No processo, ajudou a modernizar a gestão dos hospitais brasileiros e a tirá-los da era do fax, antes de ser vendida com lucros por seus sócios.

“Processos que demoravam uma semana para serem completados antes da Síntese, passaram a levar três ou quatro horas, com maior rastreabilidade e sem limite de tempo para busca de informações sobre compras passadas”, diz o empresário.

Outro caso é o do Grupo RPH, pioneiro no mercado de medicina nuclear no Brasil. Além de produzir e comercializar kits usados em exames de imagem e no tratamento de doenças como câncer e infarto do miocárdio, em sua fábrica, em Porto Alegre (RS), a empresa trouxe para o Brasil o modelo de radiofarmácia centralizada, manipulando e distribuindo doses individuais de radiofármacos, prontas para a administração em pacientes, mediante prescrição médica. Com o sucesso da operação, investida pelo Fundo Criatec I, cogerido pela KPTL, o negócio atraiu a atenção da Ygeia Medical e foi vendido, em 2020, gerando retorno de seis vezes para os sócios que deixaram o negócio.

Inovação como remédio

E o pulso?

“O pulso ainda pulsa… ”

Agora monitorado em tempo real, com dashboard na nuvem.

O inventário de males que Arnaldo Antunes cantava em 1989 provavelmente continuará existindo. A diferença é que agora, contra ele, será possível contar com inteligência artificial no pré-laudo, cirurgião via internet e novas drogas da indústria farmacêutica.

Com a automação dos centros cirúrgicos, a IA acelerando laudos e a biotecnologia abrindo novas fronteiras farmacológicas, o ecossistema de saúde vem provando que aprendeu a auditar suas próprias ineficiências. E vai mostrando que o segredo para ter vida longa, nos negócios e na vida real, é manter o ciclo de inovação girando.

“A cura está ligada ao tempo e, às vezes, às circunstâncias.”

Hipócrates

3 perguntas para…

Nelson Mussolini

É advogado. Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana MacKenzie, tem mais de 45 anos de experiência como advogado na indústria farmacêutica, tendo atuado em funções executivas de grandes empresas do setor, como Novartis Biociências, onde foi diretor corporativo, e na Eurofarma Brasil, onde ocupou o cargo de vice-presidente. Desde 2009, é presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma). É também sócio responsável pela Mussolini Assessoria em Negócios, membro do Conselho de Administração da Eurofarma e palestrante em seminários com foco em saúde.

Nelson Mussolini. (Foto: Divulgação)

1) De que forma novas tecnologias, como IA generativa, estão transformando a pesquisa de medicamentos? E como a indústria brasileira tem aplicado essas novas tecnologias?

A inteligência artificial está encurtando o caminho entre a hipótese e o medicamento. Hoje, algoritmos analisam bases genômicas e bibliotecas de moléculas em escala que nenhuma equipe humana alcançaria, apontam alvos terapêuticos, preveem a estrutura de proteínas e ajudam a desenhar candidatos a fármacos antes que cheguem à bancada. Na pesquisa clínica, a IA já auxilia no recrutamento de pacientes, no monitoramento de segurança e na análise de dados em tempo real. Isso não substitui o ensaio clínico nem o rigor regulatório, mas reduz tempo e desperdício nas etapas iniciais, que respondem por boa parte do custo e das falhas no desenvolvimento. No Brasil, as empresas associadas ao Sindusfarma aplicam essas ferramentas sobretudo na gestão: planejamento de demanda, controle de qualidade e rastreabilidade na fábrica, farmacovigilância e relacionamento com médicos e pacientes. O Sindusfarma acompanha esse movimento por meio de sua área de inteligência e capacitação profissional. O desafio é criar no país um ambiente regulatório e de proteção de dados que permita usar a tecnologia com segurança, sem travar a inovação. Destaco sempre que a IA é um instrumento, mas não substituirá a IH, Inteligência Humana.

2) O desenvolvimento de novas drogas, como a semaglutida, tem provocado uma revolução, com impactos esperados em áreas que vão da indústria de alimentos à moda. Existe a perspectiva de que novas drogas possam ter impacto similar, em outras áreas?

A semaglutida mostrou algo que a indústria conhece bem, mas que a sociedade nem sempre percebe: um medicamento pode mudar comportamentos, mercados e hábitos muito além do consultório. Desenvolvido para o diabetes, o produto passou a tratar a obesidade e demonstrou benefícios cardiovasculares, com efeitos que se espalham por setores inteiros da economia. É razoável esperar movimentos semelhantes em outras frentes. As terapias gênicas e celulares, os anticorpos monoclonais e as vacinas de RNA mensageiro estão abrindo caminho para doenças antes sem tratamento. A pesquisa sobre envelhecimento avança, mas ainda é cedo para falar em medicamentos que ampliem a longevidade de forma comprovada; o que já é concreto é ganhar anos com mais qualidade de vida, controlando doenças crônicas. Do ponto de vista econômico, cada avanço desses reduz internações, afastamentos e perda de produtividade. Medicamento não é gasto, é investimento em saúde e em crescimento.

3) O Brasil tem agora um Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia, com metas claras para alguns segmentos com grande potencial na biodiversidade brasileira, como os fitoterápicos. Qual a expectativa da indústria, principalmente em relação à inovação?

O Plano Nacional de Desenvolvimento da Bioeconomia traz metas concretas que a indústria vê com bons olhos: elevar a participação dos fitoterápicos fabricados no Brasil de cerca de 0,5% para pelo menos 5% do faturamento do mercado farmacêutico até 2035 e incorporar 15 novos fitoterápicos ao SUS. É uma oportunidade de transformar a maior biodiversidade do planeta em produto registrado, com eficácia e segurança comprovadas. A expectativa da indústria é que o plano venha acompanhado de instrumentos práticos. O Brasil precisa de regras claras e ágeis para o acesso ao patrimônio genético e à repartição de benefícios, de financiamento à pesquisa pré-clínica e clínica com plantas nativas e de um registro sanitário previsível na Anvisa. A recente lei da pesquisa clínica ajudou a dar mais previsibilidade aos estudos no país. Se esses fatores se combinarem, o fitoterápico deixa de ser nicho e passa a compor a agenda de inovação, ao lado de biológicos e sintéticos, gerando renda nos territórios e novas opções terapêuticas para o paciente.

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