Eeeuuuu sou brasileiro, bate no peito e diz…
A bola ainda não rolou nos gramados. Mas a Copa do Mundo de 2026 já tem soundtrack rodando por aí, my friend. Afinal, o Brasil é o país do futebol (ainda?), mas também é um país musical.
Sobe o som, Dj, pra gente contar essa história.
Eh, eta, esquadrão de ouro, é bom no samba, é bom no couro…
A “Taça do Mundo é Nossa” ficou na memória como hino da primeira conquista brasileira de um mundial de futebol, em 1958. Na segunda, em 1962, diversas músicas foram lançadas, a maioria delas hoje esquecidas, na esteira do sucesso no mundial anterior. Em 1970, tivemos a ufanista “Pra Frente Brasil”, do título de 1970, uma das mais marcantes, até hoje. “Coração Verde e Amarelo” embalou o tetra, em 1994, e “Deixa a Vida me levar”, de Zeca Pagodinho, foi o hino extraoficial do penta, em 2002.
Saudades? Nem te conto… Porque desde então só “Waka Waka”…
Agora, vamos pra cima com “Bate no Peito”, que tem como refrão o verso que abre o texto.
Oxalá se torne o refrão do hexa. Mas com um técnico italiano e todo o valuation do hexa depositado sobre o agora “Adulto” Ney…. Sei não.
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O certo é que animar a torcida não será exatamente uma tarefa fácil neste mundial.
Como qualquer auditor do Banco Master é capaz de ver analisando os números, o entusiasmo com a Seleção Brasileira vem diminuindo há algumas edições. Mas, em relação à Copa de 2022, o tombo foi grande. Em um levantamento recente da Ipsos-Ipec, apenas 16% dos entrevistados disseram estar muito animados com a Seleção na competição, ante 33%, no Mundial de 22. Se somados os entusiasmados aos um pouco animados, o índice vai a 48%. Ufa… Só que não!
O Datafolha mostra um cenário muito parecido: 54% dos brasileiros estão desinteressados na Copa do Mundo deste ano. E só 29% dos entrevistados afirmam acreditar que o escrete brasileiro trará para casa o título da Copa nos países da América do Norte. Há controvérsia: México fica na América do Norte ou é Central?
Por quê? Bem, invejosos dirão que a geração atual de jogadores não se equipara às anteriores. Ou que há um certo cansaço com as falcatruas e os excessos do marketing no futebol. Ou ainda buscarão razões na apropriação da camisa da seleção por grupos políticos em um ambiente de forte polarização. Talvez usem mais de um desses argumentos…
Mas o pessoal fala muito por aí, my friend… É muita maldade…
Muito embora exista quem escute, analise e tabule os dados.
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“A apatia predominante não é apenas um reflexo de descrença técnica na Seleção, mas um sintoma de um esgotamento social provocado por incertezas econômicas e crises institucionais recorrentes”, afirma o relatório de análise de cenário reputacional do Brasil no contexto do ciclo da Copa do Mundo de 2026, realizado pela Knewin, empresa especializada em monitoramento de mídia, redes sociais e gestão de reputação com inteligência de dados.
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Lucas dos Santos, CEO da Knewin. (Foto: Divulgação)
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“O ufanismo, que tradicionalmente permeava o período pré-Copa, foi substituído por uma visão pragmática, onde o evento é visto mais como uma oportunidade de entretenimento periférico do que como um marco de unidade nacional. O cenário é marcado pelo ceticismo, pela polarização política severa e por um Share of Voice (SoV) fragmentado, exigindo que estrategistas de Relações Públicas adotem uma postura de cautela e inteligência de dados constante”, afirma o texto.
Traduzindo o palavrório do relatório para um bom português de reunião do board: o clima está mais para fechamento de trimestre no vermelho do que para bônus de fim de ano. Não chega a ser um 7×1 (thanks God!, esse prejuízo já foi amortizado), mas também não é o caso de alegar que “we controu the matchi, by prain in the raiti, in the léfiti, in the mídiui”, como diria o saudoso professor Joel Santana.
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Uniforme da Seleção virou símbolo de grupos políticos no Brasil polarizado pós-2013.
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Mas será que o KPI do entusiasmo com a Seleção azedou? É difícil acreditar que, com a bola rolando, o pachequismo não dê as caras entre nós.
Sabe aquela euforia pré-crash de bolsa, que vai ganhando corpo nos bares da Vila Olímpia, salões de festas de prédios do Itaim e churrasqueiras à beira de gramados País afora. Sim, até nos monitores extras da Bloomberg dos escritórios envidraçados da Faria Lima, a galera vai dar um alt-tab discretamente para ver o jogo entre uma reunião e outra. O pachequismo é o último que morre, my friend.
Eu sei que vou, vou do jeito que eu sei…de gol em gol, com direito a replay…eu sei que vou, com o coração batendo a mil, é taça na raça Brasil…
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Mas se o momento atual não é um dos melhores que o futebol brasileiro já viveu, tem bastante gente se movimentando para fazer com que o País volte a encantar e fuja da rota seguida pela Itália de Carlo Ancelotti.
Tutti a casa. Abbiamo le stelle sulla maglia, ma guardiamo i Mondiali dal divano… Ou seja, “todo mundo está em casa. Temos estrelas em nossas camisas, mas estamos assistindo à Copa do Mundo do sofá”
A profissionalização do esporte no País abre uma janela de oportunidade para o surgimento de uma nova geração de craques e a reestruturação de clubes, com reflexos também sobre outras áreas do esporte e dos negócios ligados a eles.
Além da Lei do Esporte, as SAFs (Sociedades Anônimas do Futebol), modelo jurídico criado pela Lei nº 14.193/2021, por exemplo, têm chacoalhado o futebol brasileiro nos últimos anos. Com elas, os clubes de futebol podem deixar de ser apenas “associações civis sem fins lucrativos”, frequentemente geridas de forma política e amadora, para se transformar em empresas de fato, com governança, maior potencial de atrair investimentos e sanar dívidas históricas.
O movimento ainda é insipiente, mas produziu cases vistosos entre grandes clubes brasileiros, como Botafogo, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Coritiba e Bahia. Mas também há o atual momento desse mesmo Botafogo. Sem contar o Vasco da Gama. O “Vaxxxcooo”.
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“Infelizmente, a gente tem muitos clubes que estavam em situação praticamente falimentar e a saída via SAF se tornou uma saída possível. Quase como uma recuperação judicial”, afirma Rodrigo Amato, fundador e CEO da Laqus, plataforma de gestão de contratos financeiros e Central Depositária de bens mobiliários, que fornece infraestrutura para que as sociedades anônimas do futebol captem dívida no mercado de capitais, com a emissão de debêntures ou notas comerciais.
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Rodrigo Amato, fundador e CEO da Laqus. (Foto: Divulgação)
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Por causa do alto endividamento dos clubes que se tornaram SAFs, Amato afirma que os investidores atraídos até agora, em geral, são mais agressivos, querem muitas garantias e trabalham alavancados, “como é o caso da 777 Partner, do Vasco da Gama, ou de John Textor, no Botafogo”, afirma. Mas, com o tempo, avalia o empresário, tendem a aparecer investidores de maior porte e de melhor nível também.
Por ora, porém, segundo Amato, as SAFs estão longe de ser uma das alavancas de crescimento da empresa, que neste ano trabalha com a perspectiva de expansão de entre 30% e 40%.
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De efeito mais amplo e efetivo, no curto prazo, tem sido a Lei Geral do Esporte (Lei nº 14.597/2023), que entrou em vigor no Brasil em junho de 2023. Criada com o objetivo de modernizar a legislação desportiva e fortalecer o papel do esporte como atividade de alto interesse social no Brasil, ela vem canalizando novos recursos para o futebol e outros esportes.
“A Lei Federal de Esporte tem um crescimento muito consistente”, diz Thiago Alvim, cofundador e diretor executivo da Prosas, plataforma que apoia grandes empresas em processos de seleção, monitoramento e prestação de contas de projetos culturais, esportivos e sociais. “Em 2022, foram um pouco mais de R$ 500 milhões aplicados em projetos. Esse valor saltou para perto de R$ 1 bilhão, em 2023. Depois, para R$ 1,2 bilhão, em 2024, e R$ 1,35 bilhão, em 2025”.
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Thiago Alvim, cofundador e diretor executivo da Prosas. (Foto: Divulgação)
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Apesar de considerável, o crescimento ainda está longe do potencial, afirma o empresário. Segundo Alvim, o último estudo feito pela Prosas, com base em dados da Receita Federal do Brasil de 2024, mostra que as empresas aplicaram pouco mais de R$ 1 bilhão em projetos esportivos naquele ano. Mas deixaram de aplicar outro bilhão. “Neste mapeamento, num universo de 18,7 mil empresas que analisamos, apenas 3,4 mil utilizaram a Lei Federal de Esporte. Outras 15 mil deixaram de aplicar os recursos que poderiam”, afirma.
Com o aumento do percentual de dedução das empresas dos atuais 2% para 3%, como previsto na última alteração na Lei Federal de Esporte, em 2023, o empresário afirma que a perspectiva é de que o volume de recursos movimentado anualmente em projetos esportivos chegue aos R$ 3 bilhões de reais, mais do que o dobro do que foi movimentou no ano passado.
O esporte é parte importante da receita que vem garantindo a Prosas um ano bastante positivo, na avaliação de Alvim. Segundo ele, a empresa finalmente alcançou o equilíbrio financeiro da operação, depois de um período de investimento em expansão, e segue embalada pela ampliação da quantidade de empresas que vêm aderindo ao uso dos incentivos fiscais.
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Independente do que virá no médio e longo prazos, e dos resultados da Seleção Brasileira em campo, ao menos a “picanha” nossa de cada dia, para assistir aos jogos, está garantida. É o que aparece nos preparativos da indústria e do varejo para o evento. Com base no que acontece em anos de Copa do Mundo desde o penta brasileiro, em 2002, existe expectativa de crescimento de 10% no consumo de proteínas no Brasil – em especial de carne bovina –, durante o período do mundial. E o setor chega ao evento mais preparado do que nunca para atender à demanda, diz Felipe Fabbri, zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, focada no agronegócio.
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Paulo Dias, CEO da Ponta Agro. (Foto: Divulgação)
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Estruturalmente, a exigência de mercados externos, como a União Europeia, que demanda rastreabilidade e no mínimo 90 dias de cocho, e a China, que exige animais jovens de até 30 meses, transformou o sistema de produção brasileiro nos últimos dez anos. Para atender aos padrões internacionais com velocidade e escala, os produtores brasileiros foram forçados a investir massivamente em tecnologia, gestão e pecuária intensiva, promovendo um avanço acelerado dos confinamentos em todo o País. Só neste ano, o volume de gado confinado no Brasil aumentou em quase 2 milhões de cabeças, em relação ao ano passado, afirma Paulo Dias, CEO da Ponta Agro, agritech especializada em gestão e pecuária de precisão.
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“Com isso, e aproveitando o trabalho genético das décadas anteriores, feito com a raça Nelore no Brasil, o rebanho respondeu muito bem ao uso de tecnologia e nutrição intensiva”, afirma Dias. “Saímos de um ganho de 4 a 5 arrobas por período de cocho para médias de 7,5 a 10 arrobas em confinamentos de alta performance, com giros de cerca de 100 dias”. “A China fez com que a pecuária no Brasil avançasse 50 anos em 5”, acrescenta Fabbri.
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Felipe Fabbri, consultor da Scot Consultoria. (Foto: Divulgação / Bela Magrela)
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Em paralelo, diz o consultor, o aumento da eficiência no ganho de peso no cocho tem permitido ao Brasil reduzir a área de criação dos animais, recuperar pastagens degradadas e liberar espaço físico para a expansão da agricultura, sem a necessidade de novos desmatamentos.
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Além dos avanços e questões estruturais, Dias e Fabbri citam questões conjunturais que colaboram para o bom momento da indústria e a expectativa de boas vendas no varejo durante a Copa do Mundo. O consumidor brasileiro associa eventos esportivos, especialmente o futebol, a churrasco. A graça dessa edição é que boa parte dos jogos da fase de grupos do mundial será em horários não comerciais, o que facilita as clássicas churrascadas de confraternização.
Historicamente, na Copa, alguns cortes e produtos de carne crescem bem acima da média. Para ilustrar, Paulo Dias, da Ponta, cita dados de um levantamento da Associação Brasileira de Indústria e Alimento (ABIA), que mostram que, em 2022, as vendas de espetinho de carne bovina cresceram até 67% nos dias de jogos da Seleção, as de maminha aumentaram 53% e, as de picanha, 29%.
Para finalizar, economicamente o momento do País inspira cuidados, mas não é dos mais críticos. Apesar do alto endividamento das famílias, Fabbri argumenta que o os índices de desemprego e de desocupação iniciaram o ano nas mínimas históricas. E a renda média per capita nas máximas. “O endividamento é um ponto de atenção, mas a alimentação costuma ser o último item afetado em momentos de aperto”, afirma o consultor.
Então, my friend, se o título vem, é difícil dizer… Mas pode abrir uma cerveja, acender o carvão e apertar o play no hino da última conquista pra dar sorte, que a panceta, a linguicinha e o nobre corte de carne estão garantidos.
Deixa a vida me levar, vida leva eu…
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“No futebol, o pior cego é o que só vê a bola”
Nelson Rodrigues
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Roberto Jalonetsky
CEO da Speedo Multisport, formado em Administração de Empresas com ênfase em Marketing, pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), com MBA em Administração Financeira, pelo Insper, e curso de especialização em disciplinas como “Cross Cultural Management”, na McGill University.
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Roberto Jalonetsky, CEO da Speedo Multisport. (Foto: Divulgação)
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1) O que a Copa do Mundo deve representar para a indústria do futebol e do esporte neste ano?
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A Copa de 2026 não é um evento pontual — é um acelerador. Projeções baseadas em relatórios financeiros da FIFA (a entidade máxima do futebol) apontam receita próxima de US$ 10,9 bilhões no ciclo do Mundial, contra US$ 7 bilhões no Qatar 2022. Mas o que me interessa como gestor de marca esportiva vai além da FIFA: é o efeito de ativação no varejo, no licenciamento e no consumidor brasileiro. O e-commerce de artigos esportivos já faturou R$ 16,3 bilhões em 2024, alta de 42,3% sobre 2023 — e a Copa chega como combustível adicional nessa curva. Infelizmente é muito comum ainda vermos gestores e organizações que insistem em tratar o evento “Copa do Mundo” como uma grande e pontual janela de 45 dias para capturar receita, fazendo com que todos os esforços, estratégias e planejamento se voltem para apenas um período, um momento. Isso cria curto prazo, cria hype mas não relacionamento, e muito menos legado. Os gestores mais míopes vão brigar por visibilidade e receita imediata. Os mais inteligentes vão usar o evento para construir algo que não se apaga quando o árbitro apita o fim da final: pertencimento, relacionamento e experiência. A geração que está consumindo hoje não compra produto, ela compra representação. Ela decide com quem quer se identificar dentro da sua comunidade, e a marca que entender isso vai colher muito depois que os estádios esvaziam, aumentando e muito o potencial de ROI, inclusive financeiro. A indústria esportiva global caminha para US$ 3,7 trilhões até 2030, e a maior fatia desse crescimento não vai para quem teve o maior logo no telão. Vai para quem construiu uma conexão real com seu público alvo.
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2) Como a Lei Geral do Esporte tem impactado os negócios do setor? Como avalia sua efetividade?
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A LGE foi necessária e chegou atrasada. A Lei nº 14.597/2023 representou a maior reformulação legislativa do setor esportivo brasileiro nas últimas décadas, unificando normas espalhadas desde a era Pelé. Para o ambiente de negócios, o avanço concreto está na governança: mais transparência, obrigação de publicação de salários de dirigentes, prestação de contas estruturada. Isso atrai capital sério. Porém, a efetividade depende não apenas da existência da legislação em si, mas da sua correta aplicação e fiscalização. E aqui reside minha crítica. A lei criou o arcabouço, mas a fiscalização ainda é fraca. Clubes endividados continuam operando sem consequências reais. Para quem está do lado da indústria de produtos e marcas, a lei trouxe mais segurança jurídica nas parcerias, e sabemos que a base para um resultado consistente e a longo prazo depende muito de um ambiente transparente e de processos bem definidos. A questão agora é focar no real impacto estrutural, pois está ainda muito longe do seu real potencial. Não é ainda uma transformação. É um primeiro grande e importante passo que precisa sair da teoria para a prática assistida e continuada.
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3) Como líder de uma grande empresa do setor de artigos esportivos, o que tem visto de mais interessante em termos de inovação e tecnologia no segmento surgindo no Brasil? Como avalia o ecossistema local de startups voltadas à indústria do esporte ?
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O que mais me impressiona é a sofisticação das soluções que sobreviveram. O Arena Hub, maior centro de inovação esportiva da América Latina, tem mais de 150 startups associadas, que já passaram pelo vale da morte. São tecnologias robustas, com fundadores experientes e problemas reais para resolver. Vejo com atenção especial três frentes: performance com IA (prevenção de lesões, análise tática com computer vision), engajamento de fãs via plataformas proprietárias, e personalização de produtos, área onde grandes marcas globais não conseguem atender um mercado que exige flexibilidade, personalização e resposta rápida, abrindo espaço relevante para players locais. Os números globais mostram para onde o dinheiro está indo, e o Brasil não pode ignorar: a indústria global de tecnologia aplicada ao esporte acumulou cerca de US$ 200 bilhões em negociações ao longo de 2025, com fusões e aquisições superando 100% de crescimento na comparação anual. No segmento de saúde e performance, a Oura captou US$ 900 milhões atingindo avaliação de US$ 11 bilhões, enquanto a Teamworks levantou US$ 235 milhões para expansão internacional. No Brasil, diversos fundos brasileiros e com capital estrangeiro já direcionam aportes para startups esportivas, mas o volume ainda é tímido frente ao potencial. Entre 2021 e 2025, empresas de tecnologia esportiva captaram US$ 35,8 bilhões globalmente, e fatia brasileira nesse bolo ainda é desproporcional ao tamanho do nosso mercado esportivo. Quem fizer a ponte entre capital paciente e as melhores soluções locais vai capturar retornos assimétricos. A janela está aberta.
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